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Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. PDF Imprimir E-mail
Escrito por Hélio Arakaki   
Sex, 10 de Agosto de 2007 14:52

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Como professor de Karate, gosto de citar os princípios técnicos e filosóficos desta Arte Marcial que possam ser aplicadas às várias situações do cotidiano.   

De acordo com o livro Go Rin No Sho (disponível no Brasil como O livro dos cinco anéis) de um grande samurai, Myamoto Musashi, e adotado até hoje como um livro de cabeceira pelos executivos japoneses, existem três estratégias possíveis para se derrotar um adversário.

O primeiro dele é denominado Go no sen - Depois que o oponente inicia o seu ataque, utiliza-se uma defesa e lança-se um contra-ataque.
Tai no sen, a segunda estratégia, já é mais difícil de ser executada.  Ao mesmo tempo em que o oponente ataca, lança-se um ataque simultâneo.
E por fim, Se no sen, uma estratégia mais refinada, digna dos guerreiros de alto nível.  É apresentada somente por aqueles que realmente se dedicam arduamente de corpo e alma aos treinamentos, a ponto de tornarem-se exímios lutadores dotados de uma capacidade intuitiva de, ao pressentirem que o oponente irá iniciar o ataque, desferirem o golpe antecipadamente. 

 Uma das relações destes conceitos de estratégia que podemos incorporar à nossa vida diz respeito à forma como agimos diante das circunstâncias, se reativa ou proativamente na vida.

Ser reativo significa esperar que os outros tomem a iniciativa para depois fazer o que deve ser feito. Pode-se dizer que as duas primeiras estratégias, Go e Tai no sen, são de natureza reativa. Fica-se na espera da ação do oponente.

Uma pessoa pró-ativa, então, é aquela que age em Sen no sen, antecipando aos fatos e as ações das pessoas.  Este tipo de postura é fundamental para quem quer se tornar um profissional de excelência e comprovada competência.

Uma pessoa pró-ativa foi a que conheci numa ocasião em que havia levado a minha avó, muito doente, para tomar plasma no Banco de sangue do Hospital da Santa Casa. Enquanto aguardava na recepção, a conversa de duas funcionárias me chamou a atenção. Comentavam a respeito de uma rifa de uma cesta de chocolates.

Aproximei-me e perguntei qual era o propósito daquela rifa. Uma delas (para preservá-la, prefiro omitir seu nome) explicou-me que se tratava de uma iniciativa sua para comprar um aparelho com filtro d’água para ser instalado naquela recepção.

Perguntei-lhe se aquilo não era responsabilidade da direção daquele hospital. Ela me respondeu que aquela entidade (como toda a instituição da área da saúde do Brasil) encontrava-se mergulhada numa crise. Disse-me que a sua preocupação com as pessoas que ali chegavam era grande e que ela não podia assistir aquilo tudo passivamente. E que não custava ela própria tentar a aquisição do aparelho.
Geralmente, o pensamento de uma pessoa reativa a esta situação seria: “não é problema meu mesmo ou não há nada que eu possa fazer”. 

A pessoa pró-ativa é tomada por um espírito dinâmico, cheio de entusiasmo. Utiliza frases como “vou tentar, não posso esperar mais, é hora de agir”. São imbuídas de um forte sentimento de realização, de fazer as coisas acontecerem. Por isso, buscam o auto-aperfeiçoamento seja retomando os estudos, fazendo especializações, pós-graduação ou realizando cursos visando o autoconhecimento. Aprender para se transformar e melhorar é uma busca constante e estimuladora em sua vida.

Diante de um impasse, não vacilam em tomar uma decisão. Ao passo que uma pessoa reativa geralmente diz: “vou pensar, não é o momento, vamos aguardar, vamos marcar uma reunião para ouvir a opinião dos outros...” Na verdade, preferem que os outros tomem a decisão por ela.

Das pessoas pró-ativas é comum ouvir: “já providenciei”, das pessoas reativas: “agora não dá porque estou acumulado de coisas”. Aliás, geralmente as pessoas reativas vivem acumuladas de serviços e problemas devido à sua incapacidade de prever ou de, simplesmente, agir de maneira inconseqüente, ou seja, mesmo pressentindo que algo deva ser feito, não se dão ao trabalho de sair da cadeira ou da sala, ficando à espera dos acontecimentos.

Resumindo, pessoa pró-ativa é aquela que cantava Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

 

 

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